Todos os custos de comprar um imovel alem do financiamento

Guia completo dos custos ocultos na compra de um imovel: ITBI, cartorio, corretagem, reformas, condominio e como planejar financeiramente a aquisicao completa.

Muitas pessoas calculam apenas o valor da entrada e das parcelas na hora de comprar um imóvel — e se surpreendem com os custos adicionais que aparecem. Para um imóvel de R$400.000, os custos extras podem chegar a R$50.000 ou mais. Esse guia lista tudo que você precisa ter no orçamento além do preço do imóvel.

Por que os custos extras são tão ignorados

O problema é que os custos de compra de imóvel são fragmentados: cada um parece pequeno isolado, mas somados representam uma quantia expressiva. O ITBI aparece na prefeitura, as custas cartorárias no cartório, a taxa de avaliação no banco, a corretagem na imobiliária. Ninguém apresenta o cuadro completo de uma vez.

Este guia faz exatamente isso: reúne todos os custos em um só lugar, com exemplos reais para um imóvel de R$400.000.

1. Entrada (o mínimo que você precisa ter)

A entrada é o valor que o banco não financia. Os percentuais variam por programa:

Banco/ProgramaFinanciamento máximoEntrada mínima
MCMV Faixa 1Até 100%Sem entrada obrigatória
MCMV Faixas 2 e 380% a 90%10% a 20%
Caixa Econômica (mercado)70% a 80%20% a 30%
Bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander)70% a 80%20% a 30%

Para um imóvel de R$400.000 com financiamento de 80%, a entrada é R$80.000. Esse valor precisa estar disponível em conta no dia da assinatura — não dá para pegar emprestado ou usar cartão de crédito para a entrada.

Atenção: a Caixa Econômica Federal pode aceitar FGTS como parte da entrada, reduzindo o quanto você precisa ter em dinheiro. Verifique as condições do seu financiamento.

2. ITBI — o imposto que mais pesa

O ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) é um tributo municipal que incide sobre toda transferência de propriedade. A alíquota varia por cidade:

  • 3%: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife
  • 2,5%: Curitiba
  • 2%: Fortaleza, Goiânia, Manaus, Florianópolis

Para o imóvel de R$400.000:

  • Em São Paulo: R$12.000
  • Em Fortaleza: R$8.000

O ITBI não pode ser financiado — precisa ser pago à vista antes do registro. Algumas cidades oferecem isenção para primeiro imóvel ou para imóveis do MCMV. Veja o guia completo sobre ITBI e use a Calculadora de ITBI para calcular o valor exato para o seu município.

3. Custas cartorárias

As custas cartorárias cobrem o Registro de Imóveis (obrigatório em toda compra) e, quando necessário, a Escritura Pública no Tabelionato de Notas.

Com financiamento bancário: o contrato de financiamento dispensa a escritura pública. Você paga apenas o registro da alienação fiduciária — entre R$2.500 e R$4.500 para um imóvel de R$400.000, dependendo do estado.

Sem financiamento (à vista): precisa de escritura + registro. O total pode chegar a R$7.000 a R$11.000 para um imóvel de R$400.000 em São Paulo.

As tabelas de emolumentos são definidas pelos Tribunais de Justiça estaduais. Consulte a Calculadora de Custas Cartorárias para estimar o valor exato por estado, ou leia o guia de custas cartorárias por estado.

4. Taxa de avaliação do imóvel (ATED)

Antes de aprovar o financiamento, o banco contrata um engenheiro ou perito para avaliar o imóvel. Essa taxa — chamada de ATED (Avaliação Técnica de Engenharia e Diagnóstico) ou simplesmente “taxa de avaliação” — cobre o laudo de vistoria.

  • Custo típico: R$500 a R$2.000 dependendo do banco e do imóvel
  • Alguns bancos isentam em promoções específicas ou para correntistas com relacionamento
  • É cobrada mesmo que o financiamento não seja aprovado

Pesquise no banco antes de contratar: alguns cobram na contratação, outros embutem no CET.

5. IOF do financiamento

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide sobre toda operação de crédito, incluindo financiamentos imobiliários. As alíquotas vigentes são:

  • 0,0082% ao dia sobre o valor financiado (limitado a 365 dias)
  • 0,38% de alíquota adicional

Para um financiamento de R$320.000:

  • IOF diário: R$320.000 × 0,0082% × 365 = R$9.578
  • IOF adicional: R$320.000 × 0,38% = R$1.216
  • IOF total: R$10.794

O IOF geralmente é incorporado ao saldo devedor pelo banco, mas representa um custo real que eleva o CET acima da taxa nominal. Leia o artigo completo sobre IOF no financiamento para entender o cálculo em detalhes.

6. Seguro de vida e do imóvel (MIP e DFI)

Os seguros são obrigatórios em todo financiamento imobiliário e são pagos mensalmente junto às parcelas. Eles não são um custo “extra” à vista, mas impactam o orçamento mensal:

  • MIP (Morte e Invalidez Permanente): quita o saldo devedor em caso de falecimento ou invalidez. O prêmio varia com a idade do mutuário — entre 0,015% e 0,28% do saldo devedor ao mês.
  • DFI (Danos Físicos ao Imóvel): cobre danos estruturais (incêndio, inundação, desmoronamento). Aproximadamente 0,006% do saldo devedor ao mês.

Para um saldo de R$320.000 com mutuário entre 30 e 40 anos:

  • MIP: aproximadamente R$70 a R$100/mês
  • DFI: aproximadamente R$19 a R$25/mês
  • Total seguros: R$89 a R$125/mês

Ao longo de 30 anos, os seguros representam R$32.000 a R$45.000 adicionais no custo total.

7. Comissão de corretagem

A corretagem é a remuneração do corretor de imóveis ou imobiliária pela intermediação da venda. Por lei e pela tabela do CRECI, os percentuais são:

  • 5% a 6% do valor do imóvel (padrão para imóveis residenciais)
  • Para R$400.000: R$20.000 a R$24.000

Quem paga: legalmente, a corretagem é paga por quem contratou o corretor — normalmente o vendedor. Em imóveis usados, o vendedor já precifica o imóvel considerando a corretagem. Em lançamentos de construtoras, o corretor é pago pela incorporadora, mas o custo está embutido no preço do imóvel.

Importante: em compras diretas (sem corretor), esse custo não existe. Se você usou corretor e negociou com o vendedor, confirme no contrato quem arca com a corretagem.

8. Despesas com documentação e certidões

Cada parte da transação exige documentos. Os custos se acumulam:

DocumentoCusto aproximado
Certidão de matrícula do imóvel (atualizada)R$30 a R$60
Certidão negativa de débitos do vendedor (Receita Federal)Gratuita (online)
Certidão negativa estadual e municipalGratuita (online)
Certidão do distribuidor cívelR$20 a R$50
Reconhecimento de firma (por assinatura)R$15 a R$40
Autenticação de documentosR$10 a R$25 por folha
Certidão negativa de IPTUGratuita (prefeitura)

Reserve R$300 a R$800 para esses custos menores. Em imóveis usados com histórico mais complexo (inventário, múltiplos proprietários), os custos de certidões podem ser maiores.

9. Reformas e adaptações

Este costuma ser o maior custo esquecido — e o mais variável. Considere:

SituaçãoCusto típico
Imóvel novo, sem adaptaçõesR$0 a R$5.000 (apenas limpeza e pequenos ajustes)
Imóvel novo na planta (acabamentos, armários)R$20.000 a R$50.000
Imóvel usado em bom estadoR$10.000 a R$30.000
Imóvel usado precisando de reforma médiaR$30.000 a R$80.000
Imóvel usado precisando de reforma completaR$80.000 a R$200.000+

Uma reforma de banheiro simples custa R$5.000 a R$15.000. Uma cozinha reformada completa, R$15.000 a R$40.000. Troca de piso em um apartamento de 80m², R$8.000 a R$20.000.

Se você está comprando um imóvel usado, faça uma vistoria técnica antes de fechar o negócio — ela custa R$500 a R$1.500 e pode revelar problemas que mudam completamente o orçamento. Leia o guia sobre financiamento de imóvel usado para mais cuidados necessários nessa modalidade.

10. Mudança, móveis e eletrodomésticos

Frequentemente subestimados:

ItemCusto estimado
Frete de mudança (apartamento médio)R$800 a R$3.000
Armários planejados (cozinha + dormitórios)R$15.000 a R$50.000
Eletrodomésticos novosR$5.000 a R$20.000
Decoração, cortinas, iluminaçãoR$3.000 a R$15.000
Utensílios e itens de casaR$2.000 a R$8.000

Se você está saindo de um apartamento mobiliado alugado para um imóvel próprio vazio, o impacto de móveis e eletrodomésticos pode ser de R$30.000 a R$80.000. É comum que esse custo supere o ITBI + cartório.

11. Custos mensais recorrentes (que mudam seu orçamento)

A compra do imóvel também muda seus custos mensais. Considere antes de assinar:

CustoEstimativa
Taxa de condomínio (apartamentos)R$400 a R$2.500/mês
IPTU (varia muito por cidade e valor)R$100 a R$1.500/mês
Fundo de reserva/manutenção (recomendado)0,5% a 1% do valor do imóvel/ano
Seguro residencial (facultativo)R$50 a R$200/mês

Esses custos não existiam se você morava de aluguel — ou eram responsabilidade do proprietário. Agora, você paga tudo.

Resumo: custo total para um imóvel de R$400.000

Comprando com financiamento de 80% em São Paulo, imóvel usado em estado razoável:

ItemCusto estimado
Entrada (20%)R$80.000
ITBI (3%)R$12.000
Custas cartorárias (registro)R$4.200
IOF do financiamentoR$10.794
Taxa de avaliação (ATED)R$1.000
Documentação e certidõesR$600
Reforma básicaR$20.000
MudançaR$1.500
Móveis e eletrodomésticosR$25.000
Total necessário no dia da compraR$108.594
Total para se instalarR$155.094

Ou seja: para comprar e se instalar em um imóvel de R$400.000, você precisa de cerca de R$155.000 disponíveis — quase o dobro da entrada isolada. Se você contava com R$80.000 apenas para a entrada, vai ter uma surpresa desagradável.

Sem reforma e mobília (só os custos transacionais):

  • Entrada + ITBI + cartório + IOF + ATED + documentação = R$108.594

Isso representa 27% do valor do imóvel em dinheiro que você precisa ter disponível — mais do que os 20% de entrada.

Para calcular os valores exatos para o seu caso, use a Calculadora de Custo Total de Aquisição. Ela permite inserir cada item separadamente e mostra o total necessário no dia da compra. Também vale simular as parcelas mensais no Simulador SAC ou Simulador Price para ter uma visão completa do impacto no orçamento mensal.

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